Artistas do Modernismo no Brasil (1920 – 1940)

Vicente do Rego Monteiro

Apresentação pe

Para os apreciadores da arte pernambucana provavelmente deve ser um artista bem conhecido. Quanto a mim que obtenho a arte como um “prazer em conhecer, ver, observar, passar horas a fio” foi uma descoberta. Estava lendo notícias da Galeria Ranulpho quando descobri que a comemoração  de 45 anos da mesma em março deste ano foi marcada pelo lançamento do livro sobre Vicente do Rego Monteiro, Vicente do Rego Monteiro: olhar sobre a década de 1960. Isto porque o galerista Carlos Ranulpho era o seu marchand e continua sendo o representante das obras do pintor. Para completar tomei o conhecimento que neste Domingo, 18 de agosto, a Folha de São Paulo trouxe Vicente no 15º volume da Coleção Folha Grandes Pintores Brasileiros. Pois bem, suas obras merecem aplausos, e não poderia faltar com este artista recifense, embora já falecido, deixou histórias e lindos trabalhos.

Livro escrito por Jacob Klintowitwitz, um crítico da arte, a obra faz um resgate da atividade artística do pintor pernambucano nos anos 60. Além da capa do Volume da Folha.

livros

vicenteEle nasceu em Recife no ano de 1899, numa família de artistas. Foi ao Rio de Janeiro em 1908 dar início a sua carreira artística na Escola de Belas Artes. Já em 1911 estava em Paris, cursando a Academia Julian, uma escola privada de pintura e escultura, por três anos. Obteve contato com Amedeo Modigliani, Fernand Léger, Georges Braque, Joán Miró, Albert Gleizes, Jean Metzinger e Louis Marcoussis, algumas de suas obras refletem isto, há uma que lembra bastante as artes de Braque. Perceba:

Braque e Vicente

Desde cedo Vicente demonstrou vocação para a pintura. Iniciou-se nesta arte sob a orientação de sua irmã, também pintora Fédora do Rego Monteiro. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, voltou ao Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro. Em 1918, realizou a primeira individual, no Teatro Santa Isabel, no Recife, e dois anos mais tarde expôs pela primeira vez em São Paulo, onde entra em contato com a corrente modernista de pintura, especialmente de Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, além do romancista Oswald de Andrade.

Logo em seguida viajou para França, em companhia de seu amigo o sociólogo e escritor Gilberto Freire, deixando oito óleos e aquarelas para serem expostos na Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, entre elas a tela cujo título é Homens Trabalhando.

Além de pintor, foi poeta e um amante da dança. No final da década de 30 promoveu no Recife e em Paris Congressos
de poesia, com a colaboração dos poetas João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Carlos Moreira e Edson Régis. Alternando praticamente toda a sua existência entre a França e o Brasil, Vicente só pouco antes de falecer desfrutou algum prestigio maior em sua terra natal, onde nunca chegou a receber a consideração que sua importância exigia. Em 1957, fixou-se no Brasil passando a lecionar sucessivamente na Escola de Belas-Artes de Recife, na de Brasília e de novo na de Recife. Em 1966 o Museu de Arte de São Paulo dedicou-lhe uma retrospectiva, o mesmo tendo feito, após sua morte, em 05 de junho de 1970, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

As pintura de Vicente do Rego Monteiro são marcadas pela sinuosidade e sensualidade. Há figuras volumosas, que se aproximam da escultura. As cores muitas vezes são opacas. A temática religiosa é frequente. Ele também chegou a pintar retratos, inclusive da sua família.

A tela em moldura se chama Os Frades. É linda demais! As cores, as formas geométricas dos corpos, pés, mãos. Amei!

1

Gostei da organização…

2 Os Talheres

… e da simetria!

3 As religiosas 1969

Gosto da forma!

4 Mulher Sentada

Lembra-me as estátuas egípcias!

5 Maternidade Indígena detalhe

Figuras mitológicas…

6 Atirador de arco 1925

E vejo um pouco de Portinari! Não sei bem o porquê, mas me lembra!

7 Burro de Carga de Telhas

8 Goleiro

Pobre menino! Parece amendrontado!

9 O Menino e os Bichos

Mais uma vez destaco as cores da tela, há uma suavidade que prende o olhar!

10 Veado e Corça

“A vida é tudo o que tenho. A vida e somente a vida. É sobre ela que estou construindo a minha obra.” Vicente do Rego Monteiro

FONTES

Banco de Imagem do Google

Páginas

Coleção da Folha de São Paulo:  http://pintores.folha.com.br/colecao.html

Galeria Ranulpho em Recife/Facebook: https://www.facebook.com/GaleriaRanulpho

Textuais

Wikipédia

Escritório de Arte.com

E-biografias.net

Mercado Arte

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Nascido e morto pelas tintas!

capa

Para mim este pintor sempre foi o Graciliano Ramos da pintura. Digo isto porque após ler o romance Vidas Secas deste grande escritor, vi na tela Os Retirantes (1944), a saga dos sertanejos em imagem. O livro do Graciliano narra a história de uma família de nordestinos que cruza o sertão em busca de sobrevivência. A história ocorre na década de 30, mas não foge a realidade atual, assim como a tela de Portinari. A tela Criança Morta da mesma série, também demonstra reflexos da seca como a fome, a dor e a morte que é quase sempre presença constante, quando não do homem, daquele que é seu companheiro, seu ganho de vida, seu gado, seu animal.

A tela ecoa como uma denúncia social. É fria. Dura. Monótona. Sem cor. A família é grande há mais de três filhos, sem falar do que habita o ventre da mãe. A miséria está estampada nos ossos. Há dor, mas não lágrimas. A seca é completa. No céu há urubus, pássaros que geralmente sobrevoam animais mortos. A barriga da garota é um retrato da fome, dos vermes existentes. Os pés também chamam atenção pela grandeza, estão cansados de caminhar.

1 Os retirantes 1944

O primeiro olhar está voltado ao pai encurvado, elevando nos braços a dor de ter seu filho morto. É como um grito, um clamor, por vida. Aqui a única água é a que escorre dos olhos. Infelizmente a seca é fatal e contínua, o governo em nada contribui, mas hoje há corações solidários tentando amenizar o sofrimento do sertanejo.

2 Criança Morta

3 fotoCândido Torquato Portinari (1903-1962) nasceu numa fazenda de café, munícipio do Estado de São Paulo chamado Brodowski. Seus pais eram imigrantes Italianos de origem muito humilde. Portinari, embora não tenha possuído uma educação de qualidade, pois se quer completou o ensino primário, possuía uma forte vocação artística. Este talento foi à tona, graças a uma trupe de pintores e escultores italianos que atuava na restauração de Igrejas, e ao passar pela região de Brodowski, recrutou Portinari como ajudante.

2 Casa de Portinari na Infância

Decidido a aprimorar seus dons, o talentoso menino partiu ao Rio de Janeiro, para estudar na Escola Nacional de Belas Artes, mesmo que para isto, logo no início, tenha passado fome.  Assim começou a se tornar destaque entre os professores e a imprensa. Tanto foi seu desabrochar, que aos 20 anos de idade já participava de exposições, sendo foco de artigos de diversos jornais da época. Foi nesse momento que Portinari começou a se interessar pelo movimento artístico um tanto radical chamado Modernismo.

4 escola

[O modernismo brasileiro foi um amplo movimento cultural que repercutiu fortemente sobre a cena artística e a sociedade brasileira na primeira metade do século XX, sobretudo no campo da literatura e das artes plásticas. Obtinha como foco reconstruir a cultura brasileira, eliminando os valores estrangeiros, rompendo com todas as estruturas do passado, realizando experimentações e transformações estéticas. O movimento no Brasil foi desencadeado a partir da assimilação de tendências culturais e artísticas lançadas pelas vanguardas europeias como o Cubismo de Picasso e o Futurismo.]

Ao contrário do que alguns pensam, o artista não participou da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, e suas telas, naquela época, nem de longe tinham a ousadia dos trabalhos de Tarsila do Amaral ou Anita Malfatti.

5 foto 2

Portinari viajou ao centro mundial da arte, Paris, onde viveu por dois anos. Lá conheceu Maria Martinelli, uma uruguaia de 19 anos com quem o artista passaria o resto de sua vida. Em 1931 de volta ao Brasil, muda completamente a estética de sua obra, valorizando as cores e a ideia das pinturas. Foi fundo nos temas de cunho social, pintando trabalhadores rurais, retirantes nordestinos e favelas cariocas. Sua obsessão passou a ser o registro das contradições sociais brasileiras, como a fome e a miséria, mazelas que ele conheceu na própria pele. Ele quebrou o compromisso volumétrico e abandonou a tridimensionalidade de suas obras. Aos poucos o artista deixa de lado as telas pintadas a óleo e começa a se dedicar a murais e afrescos. Ganhando nova notoriedade entre a imprensa, Portinari expõe três telas no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova Iorque de 1939.

6 RETRATO DE MARIA

Os quadros chamaram a atenção de Alfred Barr, diretor geral do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) na década de 40. Ao visitar o MoMA, Portinari se impressionou com uma obra que mudaria seu estilo novamente: “Guernica” de Pablo Picasso. De volta ao Brasil, o pintor começou a apresentar problemas de saúde, como uma grave intoxicação, causada pelo chumbo presente nas tintas que usava.

Desobedecendo as ordens médicas, Portinari continuava pintando e viajando com frequência para exposições nos Estados Unidos, Europa e Israel. Em 1944, após a inauguração, a convite do arquiteto Oscar Niemeyer, inicia as obras de decoração do Conjunto Arquitetônico da Pampulha em Belo Horizonte, Minas Gerais, destacando-se na Igreja de São Francisco de Assis, o mural São Francisco (do altar) e a Via Sacra, além dos diversos painéis de azulejo, sendo tudo concretizado em 1945. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries Retirantes (1944) e Meninos de Brodósqui (1946), assim como à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro, sendo candidato a deputado em 1945, e a senador em 1947.

Fachada…

1 PAMPULHA

Interior…

2 PAMPULHA

Entre suas obras mais prestigiadas e famosas, destacam-se os painéis Guerra e Paz (1953-1956), que foram presenteados em 1956 à sede da ONU de Nova Iorque. Se você, caro leitor, leu a postagem anterior, pode conferir a mesma, na tela O Príncipe da Paz de Harry Anderson.

Na época, as autoridades dos Estados Unidos não permitiram a ida de Portinari para a inauguração dos murais, devido às ligações do artista com o Partido Comunista Brasileiro. Somente em novembro de 2010, depois de 53 anos, os paineis voltaram ao Brasil, foram restaurados, e finalmente, foram exibidos, em 2010, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e, em 2012, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Cada um mede 14 metros de altura e 10 metros de largura…

PAINEL

No Painel Guerra vejo um soldado no cavalo no canto inferior da tela, mais a cima no meio há outro, porém diferente, há também pessoas ajoelhadas implorando por paz, algumas parecem rezar, outras com as mãos no rosto: chorar. Há muitas abraçadas, solidárias ao medo de umas as outras;

DETALHE DO PAINEL GUERRA

Já no Painel Paz vejo crianças felizes, brincando em gangorras, saltando, desenhando ou lendo livrinhos. Há uma mulher que parece levantar o braço para justiça, também vejo cangaceiros, palhaços, um cavalo branco que parece trazer Maria, pois há uma mulher coberta por um manto azul claro! Vejo um homem com um carneiro no pescoço, talvez faça menção a oferta bíbilica. Há um conjunto de garotos vestidos de camisas brancas. Mulheres de mãos dadas entre si!

DETALHE DO PAINEL PAZ

Em suas obras, o pintor conseguiu retratar questões sociais e aproximou-se da arte moderna européia sem perder a admiração do grande público. Assim como o brasileiro, idealizador e um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, Di Cavalcanti, (já mencionado aqui no Blog), suas pinturas se aproximam do cubismo, surrealismo e dos pintores muralistas mexicanos, sem, contudo, se distanciar totalmente da arte figurativa e das tradições da pintura. O resultado é uma arte de características modernas.

Infelizmente a intoxicação de Portinari começou a tomar proporções fatais. Claustrofóbico, morreu envenenado pelo cheiro das tintas entre os corredores das telas, as mesmas que expressaram seus sentimentos mais profundos. O pintor veio a falecer aos 59 anos de idade. Foi sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro. O pintor deixou um único filho, João Cândido Portinari, professor, fundador e Diretor-Geral do Projeto Portinari.

O artista possui inúmeras obras, cada qual que seja mais linda, mais cheia de história! Gostei de quase todas que vi, e mesmo assim é impossível colocá-las aqui! Portanto, vamos conferir algumas, mas não deixe de conferir as demais. Para quem é de São Paulo, tem a honra de ter o MASP, sempre com exposições do artista, e de contemplar no interior do Estado, na cidadizinha de Brodowski o Museu Casa de Portinari, sim, é na casa em que Cândido Portinari morou na infância e juventude, e retornava sempre para passar temporadas com a família e amigos.

A partir de 1935, o artista fica renomado pela elaboração de seus murais que exploravam a temática brasileira, incluindo a luta das classes trabalhadoras nas plantações, nas favelas e nas cidades.

A tela abaixo nos traz um pouco a memória de Portinari. Marcada pela presença da lavoura de café que tanto presenciou em sua infância. Mais uma vez o pintor pinta mãos e pés desproporcionais ao tamanho normal, assim como o homem que é musculoso o que retrata a força do trabalhador brasileiro. O olhar do lavrador é de preocupação, ele olha que o quanto já exerceu sobre a terra, é pouco em relação ao homem que a desmata, e dificulta seu próprio trabalho.

a1 O Lavrador de Café 1934

Novamente o homem aparece forte. Trabalhador da terra. O verde das matas mostra a concretização do plantio.

a O Mestiço 1934

O trabalho rural da década de 30…

a Café 1935

Figuras típicas dos morros e favelas do Rio de Janeiro…

a Flautista 1934

“A paisagem onde a gente brincou pela primeira vez não sai mais da gente.” Candido Portinari em referência a sua infância, as brincadeiras de rua, a liberdade. Concordo totalmente com ele!

b Roda Infantil 1932

Portinari costumava retratar brincadeiras com piões, pipas, bonecas de pano, como também balanços, gangorras, futebol de rua, cambalhotas…

b Meninos Soltando Pipa 1943

Em 1948, Portinari se auto-exila no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel abaixo, encomendado pelo Banco Boavista do Rio de Janeiro.

c A primeira missa no Brasil 1948

Explorando as favelas, continua expondo-as nos seus pincéis. Como também a cidade, o Carnaval,  as festas de ruas, os músicos.

d Favela 1957

Temas religiosos e a figura humana, Portinari pinta vários quadros da Fuga de Maria de Nazaré para o Egito, as que datam de 1934 são semelhantes a pintura do renascentista Fra Angelico.

Essa é uma pintura feita a crayon e papel pardo, e traz uma dedicatória a seus amigos: Amelinha e Augusto.

e A Fuga para o Egito 1955

 

FONTES

Imagens retiradas do Banco de Imagem do Google.

Portal Portinari: http://www.portinari.org.br

Revista Gosto – Portal Uol – Comendo com Arte: http://migre.me/fEIuX

Portal Terra – Diversão – Portinari 100 anos

Slideshare – Vida e Obra Portinari

 

 

 

 

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A Cara do Brasil

 Expoente das artes plásticas brasileira, idealizador e um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922. Emiliano Di Cavalcanti, assinava Edi Cavalcanti, nasceu em 6 de setembro 1897, no Rio de Janeiro. Foi um dos grandes pintores, caricaturista e ilustradores brasileiros. Desde jovem demonstrou grande interesse pela pintura. Inicia sua vida de artista com apenas 17 anos, por ocasião da morte do pai, em 1914, quando se torna necessário garantir seu próprio sustento.

Seus primeiros desenhos são publicados na extinta Revista Fon-Fon, especializada em retratar os hábitos e costumes da sociedade carioca e que foi publicada de 1907 até 1958. Em 1917 vai morar em São Paulo. Participando mais tarde da Semana de Arte Moderna de 1922, onde expôs onze obras de arte e elaborou a capa do catálogo, nesta ocasião se torna amigo de Mario e Oswald de Andrade. Sua obra, já bastante difundida naquele tempo, serviu de inspiração para aquele momento específico e para toda a história das artes plásticas no Brasil.

Entre 18 e 11 de fevereiro de 1922 ele idealiza e organiza a 1° Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo.

Em 1923, faz sua primeira viagem à Europa, expondo em Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdã, dentre outras. Devido ao relativo sucesso dessas exposições, Di Cavalcanti conhece Pablo Picasso, Henri Matisse, Fernand Léger e Jean Cocteau, artistas que pensavam as principais mudanças estéticas do início de século XX. Em 1926, retorna ao País e cria os painéis de decoração do Teatro João Caetano no Rio de Janeiro. Por seus vínculos com o Partido Comunista Brasileiro, ao qual se filia no final da década de 20, os anos 30 serão os anos das prisões para Emiliano Di Cavalcanti, o que marca a concepção estética do artista.  

É preso duas vezes, mas com a ajuda dos amigos consegue liberdade e, imediatamente, embarca para Paris, estabelecendo-se até 1940. A Segunda Guerra Mundial faz com que Di Cavalcanti retorne ao Brasil, mais especificamente a São Paulo, de onde inicia uma série de artigos em que deixará claro suas discordâncias com o abstracionismo. Ele acusa essa corrente estética de tentar alcançar a realidade sem, contudo, entender a própria realidade. Em 1941, ilustra o livro Uma Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo.

A década de 50 é particularmente marcada pelo o envolvimento de Di Cavalcanti em bienais de arte. Em 1951, participa da 1º Bienal de Arte de São Paulo onde obtém relativo sucesso. Por razões pessoais, se recusa a participar da edição de 1952 da Bienal de Veneza. Na segunda edição da Bienal de São Paulo, em 1953, divide com *Alfredo Volpi, o prêmio de melhor pintor nacional. Em 1958, a convite de Oscar Niemayer idealiza uma série de desenhos para compor a tapeçaria do Palácio da Alvorada e pinta a Via-Sacra para a catedral de Brasília.

*Alfredo Volpi foi um pintor ítalo-brasileiro considerado pela crítica como um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo. Uma das características de suas obras são as bandeirinhas e os casarios.

Quatro anos antes da sua morte, em 1971, o MAM – Museu de Arte Moderna, de São Paulo organiza a retrospectiva da obra de Di Cavalcanti. O artista recebe, também neste momento, um prêmio da Associação Brasileira dos Críticos de Arte. Em comemoração aos seus 75 anos, sua tela Cinco Moças de Guaratinguetá é reproduzida em selo. Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo falece, no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1976, aos 78 anos de idade, deixando extrema importância nas artes plásticas do Brasil.

O Brasil das telas de Di Cavalcanti é carregado de cores fortes, pois segundo o artista avivava a experiência da contemplação estética, o que sempre foi sua grande preocupação. Aborda a sensualidade tropical, marcada pela definição dos volumes, carregado de lirismo, revelando símbolos de uma brasilidade personificada em mulatas que observam a vida passar, moças sensuais, foliões e pescadores. São comuns os temas sociais e culturais do Brasil (festas populares, samba, operários, as favelas, protestos sociais). O cenário geográfico brasileiro praias, morros, também foi muito retratado em suas obras.

Por fim vale ressaltar que seu estilo artístico foi mui marcado pela influência do expressionismo, cubismo e muralistas mexicanos, onde a arte era revolucionária, de sentido popular, para o povo. Vale salientar que a adesão dos pintores aos murais de grandes dimensões está diretamente ligada ao contexto social e político do país, um dos exemplos do artista é Navio Negreiro, 1961, óleo sobre tela, presente no Museu Nacional de Belas Artes em São Paulo.

Vejamos algumas de suas obras durante várias décadas.

A tela em moldura se chama Samba e foi pintada na década de 20. Época em que o artista ingressa no Partido Comunista.

Gostei bastante dessa tela! Foi feita em 1932, quando ele funda em São Paulo, com Flávio de Carvalho, Antonio Gomide e Carlos Prado, o Clube dos Artistas Modernos. E Sofre sua primeira prisão em 1932 durante a Revolução Paulista. Solto, viaja ao Recife e Lisboa onde expõe no salão “O Século” ao retornar é preso novamente no Rio de Janeiro.

1956 é o ano de sua participação na Bienal de Veneza e recebimento do I Prêmio da Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste.

Outra tela que apreciei bastante! Década de 60. Di ganha Sala Especial na Bienal Interamericana do México, recebendo Medalha de Ouro. Torna-se artista exclusivo da Petite Galerie, Rio de Janeiro.

Recebe indicação do presidente João Goulart para ser adido cultural na França, embarca para Paris e não assume por causa do golpe de 1964. Vive em Paris com Ivette Bahia Rocha, apelidada de Divina. Lança novo livro, Reminiscências, líricas de um perfeito carioca e desenha jóias para Lucien Joaillier. Observe o título da sua tela! Di Cavalcanti está em Paris e pinta o Rio de forma saudosista, afinal é sua cidade natal que tanto a ama!

Antigamente, por volta dos anos 60 e 70 havia muitos Circos. Entre suas especialidades incluíam-se a domadores de ursos, o ilusionismo e as exibições com cavalos. Eles viajavam de cidade em cidade, e adaptavam seus espetáculos ao gosto da população local.

No fim da década de 60 o cinquentenário artístico de Di Cavalcanti é comemorado. Ele pinta telas de mulheres dentro e fora de casa. É a mulata na janela, com o gato. A tela abaixo a meu ver parece ter aspectos do cubismo, da fase azul de Pablo Picasso que aconteceu de 1901 a 1905. Já que Di Cavalcanti chegou a conhecer Picasso e suas obras na década de 20 pode ter influências especiais. Será?

Por volta de 70 suas telas passam a retratar os festejos populares. Bailes, carnavais, Natal, paisagens de cidade, momentos históricos. Di Cavalcanti Comemora seus 75 anos no Rio de Janeiro, em 1973, em seu apartamento do Catete.

Di Cavalcanti, a cara do Brasil das décadas passadas, falece aos 78 anos! Mas… suas obras continuam vivas, ricas, imortais.

FONTES

Memorial Di Cavalcanti: http://www.dicavalcanti.com.br

* Wikipédia

*Sua Pesquisa (Biografias – Di Cavalcanti)

* Blogs José Ferreira (Abril de 2012)

* Latin Art Museum (Di Cavalcanti)

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A Pintora de 22

Ela foi pivô na semana da Arte Moderna de 1922. Sofreu na infância. Quis de princípio estudar em Paris, mas a situação financeira lastimável da família não permitiu. Amou “em silêncio” o amigo Mário de Andrade… Ela deixou belas pinturas!

 Anita Catarina Malfatti (São Paulo, 2 de dezembro de 1889 — São Paulo, 6 de novembro de 1964) foi uma pintora, desenhista, gravadora e professora brasileira. Anita era filha de pai italiano católico e mãe americana, de ascendência alemã protestante. Um defeito congênito a tornou uma falsa canhota; trazia sempre um lenço colorido cobrindo a mão direita deformada. Essa limitação foi marcante para sua personalidade e características emocionais.

Criança, uma vez se deitou numa vala por onde passou um trem só para perder o medo; de olhos fechados, tudo o que vê são cores. Acontece a revelação de seu destino: quer ser pintora.

“Eu tinha 13 anos, e sofria porque não sabia que rumo tomar na vida. Nada ainda me revelara o fundo da minha sensibilidade [...] Resolvi, então, me submeter a uma estranha experiência: sofrer a sensação absorvente da morte. Achava que uma forte emoção, que me aproximasse violentamente do perigo, me daria a decifração definitiva da minha personalidade. E veja o que fiz. Nossa casa ficava próxima da educada estação da Barra Funda. Um dia saí de casa, amarrei fortemente as minhas tranças de menina, deitei-me debaixo dos dormentes e esperei o trem passar por cima de mim. Foi uma coisa horrível, indescritível. O barulho ensurdecedor, a deslocação de ar, a temperatura asfixiante deram-me uma impressão de delírio e de loucura. E eu via cores, cores e cores riscando o espaço, cores que eu desejaria fixar para sempre na retina assombrada. Foi a revelação: voltei decidida a me dedicar à pintura.” Anita Malfatti.

A tela abaixo esteve exposta na Semana de 22, onde a artista expôs coincidentemente 22 telas. A com moldura abaixo se trata de um retrato de Mário de Andrade (1921-1922).

A pintura de Anita Malfatti foi o estopim da vanguarda do modernismo brasileiro. Estudou pintura em escolas de arte na Alemanha e nos Estados Unidos (estudou na Independent School of Art em Nova Iorque). Em sua passagem pela Alemanha, em 1910, entrou em contato com o expressionismo, que a influenciou muito. Já nos Estados Unidos teve contato com o movimento modernista.

Em 1917, Anita Malfatti realizou uma exposição artística muito polêmica, por ser inovadora, e ao mesmo tempo revolucionária. As obras de Anita, que retratavam principalmente os personagens marginalizados dos centros urbanos, causou desaprovação nos integrantes das classes sociais mais conservadoras e recebeu crítica ferrenha de Monteiro Lobato. Lobato expressou em um artigo toda a sua indignação com a obra de Anita Malfatti, de inspiração cubista. Publicado no jornal O Estado de São Paulo, o texto “Paranoia ou Mistificação?”  Porém, O Homem Amarelo feito por Anita Malfatti entre 1915 e 1916, encantou o jovem Mário de Andrade, que voltou oito vezes à exposição no centro de São Paulo. Gradativamente, sua poesia passou a ser criativa e estranha como aquelas telas. Começou a assinar seus versos com o nome verdadeiro: Mário de Andrade.

Embora não goste muito desta tela, ela é o retrato do cubismo, lembra-me Picasso. As cores e principalmente os traços.

                                                                                

Em 1922, junto com seu amigo Mario de Andrade, Anita participou da Semana de Arte Moderna. Ela fazia parte do Grupo dos Cinco, integrado pela mesma, Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. Um dos principais eventos da história da arte no Brasil, a Semana de 22 foi o ponto alto da insatisfação com a cultura vigente, submetida a modelos importados, e a reafirmação de busca de uma arte verdadeiramente brasileira, marcando a emergência do Modernismo Brasileiro. 

Desta semana tomam parte pintores, escultores, literatos, arquitetos e intelectuais. Durante três dias – entre 13 e 17 de fevereiro – o Teatro Municipal de São Paulo foi tomado por sessões literárias e musicais no auditório, além da exposição de artes plásticas no saguão, com obras de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Ferrignac, John Graz, Martins Ribeiro, Paim Vieira , Vicente do Rego Monteiro, Yan de Almeida Prado e Zina Aíta ( pintura e desenho ), Hildegardo Leão Velloso e Wilhem Haarberg ( escultura ). As manifestações causaram impacto e foram muito mal recebidas pela plateia formada pela elite paulista, o que na verdade contribuiria para abrir o debate e a difusão das novas ideias em âmbito nacional.

Entre os anos de 1923 e 1928 Malfatti foi morar em Paris. Retornou a São Paulo em 1928 e passou a lecionar desenho na Universidade Mackenzie até o ano de 1933. Em 1942, tornou-se presidente do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Entre 1933 e 1953, passou a lecionar desenho nas dependências de sua casa.

Veja nesta tela abaixo o reflexo no espelho de uma moça, parece ler algo ou estaria a tocar piano? Gosto das cores suaves, além de ter dois quadro dentro de outro! 

A tela abaixo quer dizer (canção de Montmartre/Bairro de Paris-França).

E o Interior…

Por volta dos anos 40, Anita disse:

“É verdade que eu já não pinto o que pintava há 30 anos. Hoje faço pura e simplesmente arte popular brasileira. É preciso não confundir: arte popular com folclore… [...] eu pinto aspectos da vida brasileira, aspectos da vida do povo. Procuro retratar os seus costumes, os seus usos, o seu ambiente. Procuro transportá-los vivos para as minhas telas. Interpretar a alma popular [...] eu não pinto nem folclore, nem faço primitivismo. Faço arte popular brasileira”.

Costume bem da terra, dos interiores do Brasil a fora, festejos juninos…

E a sanfona e o tradiconal  forró… Tem até um cãozinho!

Vejo um retrato do Brasil…do povo…

Anita era filha de pai católico e mãe protestante, e pintou o nascimento mais lindo do Mundo…

E é esta fase de quadros populares que mais me agradam nos pincéis de Anita Malfatti!

 

FONTES

Textos: http://migre.me/9qe2l  / http://migre.me/9qe3K  / http://migre.me/9qe3K  / http://migre.me/9qedU  / http://migre.me/9qeI1  / http://migre.me/9qeRV

Algumas das Telas: http://migre.me/9qhuy

Tela A Fazendinha: http://migre.me/9qfuK

Tela Natividade: http://migre.me/9qg3h

Tela Saleta de Descanso: http://migre.me/9qhyi

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